20 de janeiro de 2011

E ai grande papai, quando é que vamos acertar as contas? Será que um dia o que você deveria significar vai existir de verdade? Não há sonhos, não há esperança; não há nem ao menos tristeza. Há a existência; você existe e só. Indiferente, parte da minha rotina. Alguém que se cruza pelos corredores e reaviva sentimentos que de nada vivem.
Você já deixou em mim todas as marcas que poderia deixar, nada mais pode acrescentar, tudo entra e sai pelo mesmo lugar. Mas isso; isso tudo não existe mais. Há apatia, cinismo e em maior número de horas há hostilidade. As vezes os socos e tapas poderiam doer mais; mas agora nada dói. São só sentimentos, não há medo. Há raiva, desprezo.
Demagogia, falsidade.
Você pode citar Freud ou Schoppenhauer, pode falar de como ama a natureza, ou teorizar sobre a vida. Pode ver o mundo e suas mazelas e apontar soluções.
Os golpes que a vida lhe deu, talvez tenham tirado o sumo precioso que lhe faria uma pessoa incrível, ou talvez você só tenha nascido sem. Tanto faz. Não me interessa analisar, não mais.
Quem sabe se eu deixasse todos os livros pra trás; quem sabe não tivesse lido aquele ecritor, quem sabe não tivesse ele dito tudo que eu penso a seu respeito. Ou fosse eu uma idiota qualquer que acreditasse cegamente nas coisas que os homens dizem.
Quem sabe eu tivesse a mesma ilusão daquelas fotografias; de que eu era feliz, de que eu e eu mesma fodi com tudo. Pobre de mim. Fui que eu que estraguei tudo?
fui eu que descobri tudo. O clarão veio cedo demais.
Sou grata a vida por ela não ser somente o masculino. Feliz foi você que de numas dessas pernas ter tido tanta sorte.

Prefiro esperar pelo dia que não lhe encontrarei mais e que minha consciência me acompanhe sem nenhum pesar.
Um abraço agora seria como dois pedaços de cimento juntos. Você me deu as pessoas mais importante da vida. Você me deu algumas das coisas mais importantes para evolução do ser humano.
E ainda você, me mostra a cada dia o que eu não quero ser.