O silêncio entre as conversas ou os dias normais, comuns, em que se fala bom dia e a conversa não flui, onde entre um e outro gole de café há aqueles sorrisos pela metade e uns olhares vagos; nesses dias me apertava mais o coração. Era sempre o prenuncio do fim, eram esses silêncios e vazios que abriam espaço na mente para pensar no que ele pensava, se nesses momentos sem emoção pensava mesmo que por um instante em deixar tudo pra trás e buscar sentimento a cada minuto; em outro lugar. Olhava-o fixo, tentando imaginar o que imaginava e cada reação era analisada sob olhar severo e critérios pré-concebidos que sabotavam a realidade. Era a morte num pote de açucar, num tapinha nas costas, num beijo mal dado, quando eu parecia não ser suficiente fonte de entretenimento. O vazio que suporta todo o pensamento , que dá cama para as mais diversas paranóias, que se agarra nas costas e ali fica, enquanto se disfarça que está tudo bem, até que comece o choro e o drama, ou se estabilize como angústia (de uma vez por todas). Aquele ciclo desesperado para quebrar a linha reta e subir ou descer, como for. Quando gargalhadas, paixão e pele não estão presentes sente-se o risco de estar na parte baixa do gráfico. Os altos nunca são problemas. Nesse intercalar incessante a vida como uma eterna euforia é loucura, ilusão. Mas mesmo insensato, aceitar o tédio e os momentos 'baixos' era tarefa falida , pois todos os fins começavam assim na tenda da memória. Era a faca que abria o passado e que levava na sua navalha o futuro e suas possibilidades.
Sufocante e insuportável, um sentimento que pudera de repente explodir, ou tirar do fundo a autodestruição. Matar, morrer e sempre renascer com um hematoma a mais. Ainda mais nos domingos. Num simples domingo, um dia silencioso onde se termina por assistir televisão e esperar a segunda-feira.
Que perigo poderia ter um dia desses?
14 de abril de 2011
5 de abril de 2011
Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.
Pablo Neruda
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.
Pablo Neruda
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