Eis de volta aqui a velha sensação de não se importar com
nada, não ligar pra nada; mas agora sem a
melancolia habitual. Como uma amiga próxima me falava nos tempos de
juventude, existe um impulso vital que não nos deixa esmorecer e dar o ultima
suspiro. Depois de sucessivas quedas e tentativas você acaba percebendo que
continua viva, que continua respirando e sentindo. Percebe um pouco do que o
mundo faz dia a dia com você e chega mais perto da sua real identidade.
Quando você está no meio do caos, você vira o próprio
caos. E no centro da confusão ninguém dorme, ninguém come, ninguém pensa como precisa.
E quando o estado piora e aumenta, entra em cena então o sentimento mais não-sentimento
de todos; que te paralisa e bloqueia tudo que for forte demais ou dolorido
demais pra passar por você nesse momento. A mente cala, o corpo cala, o sorriso
já não se abre muito, mas o sentimento de respirar o ar limpo está ali, leve. E
é só isso que você precisa fazer; respirar. A aceitação das coisas vem um pouco
atrás do passar do tempo.
E agora com o ar de novo nos pulmões, a única preocupação
é se compro maças ou bananas na feira.