28 de março de 2008

Na escola, nós, depositários de conhecimento parco, aparentemente adquirimos o conhecimento necessário para a vida parcelado em anos. O equívoco reside em darmos a mapas, carbonos e regras gramaticais uma importância elevada. Todo esse conhecimento é útil, mas deveria ser transformador.
As soluções não estão aí. Estão na falta do brilho questionador , que não está nos olhos dos alunos, na falta de imaginação , na burrice mecânica que se alastra como praga, na corrente férrea da ignorância.
Os livros são esquecidos, A boa musica ainda mais, a arte nem é cogitada. Mas seria pedir demais, quando existem atrativos como a musica eletrônica e a televisão de má qualidade, não é?
Entrando somente nas portas já abertas, nas escadas terminadas no caminhoi reto; e esse caminho reto nos leva ao mesmo poço onde estão aqueles que mastigaram e não digeriram. Que comeram a comida que lhes foi dada.
E no fim os que viam as curvas dos caminho, os que tinham aquele brilho nos olhos, o perdem para a massa, o perdem entre a socialização da comodidade e a crucificação da mudança.
Deixamos de Existir a cada pranto ineficaz e a cada grito inaudível . Passamos a nos tornar vermes de olhar fosco, esperando por ser pisoteados.

27 de março de 2008

Um homem capaz de compreender que existe beleza na pluralidade e nos homens que buscam a si mesmos e não no aglomerado de pessoas, jamais deveria viver num meio em que domina o senso comum. É uma estrada demasiadamente dolorosa.
Quem foi uma vez lançado ao mundo proibido, ao mundo questionador, não poderá nunca mais voltar ao lugar do comum.
É entristecedor que homens com tal possibilidade; para a própria sobrevivência, tenham de se apropriar de hábitos mundanos e de mediocridade elevada abrindo mão da própria essência.

20 de março de 2008

Escrever - Clarice Lispector

"Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros. "
(publicada em 14 de setembro de 1968)

... E salva!