Hoje fui dormir sem a Tevê. Ouvi os gritos dos torcedores na semifinal do campeonato
e enquanto eu tentava dormir olhando pro teto até o sono chegar, soube como é ser zumbi.
Soube como é não sentir nada, não pensar nada. Nunca achei que minha mente fosse me dar essa trégua
nessa altura da vida, mesmo que por algumas horas.
Aquelas duas mãos que apertavam meus estomago hoje me largaram,
essa maquina compressora na minha cabeça enferrujou, parou de funcionar.
A vidente Consciência me disse que eu cairia na rua, teria uma síncope, em três dias.
Um homem bondoso fez tudo parar.
Um homem bondoso fez tudo parar.
Eu a beira da exaustão querendo ser Joana d'Arc, virando as coisas do avesso me apresentando
no Circo dos Horrores com uma platéia de palhaços monstruosos.
Eu era eu agora, eu antes e eu depois ao mesmo tempo. Vivia as mais antigas histórias
como se estivessem aqui girando e rodopiando ao meu lado. Consegui trazer todos os mortos
pra perto de mim e abraça-los, enquanto eles roíam minhas botas e eu pouco via.
Terminei o espetáculo sem as botas e as roupas, sem a bailarina nem o equilibrista.
Pude correr coma s costas desnudas pra procurar outro espetáculo sem mortos-vivos.
Pude correr coma s costas desnudas pra procurar outro espetáculo sem mortos-vivos.
E o dia termina pra que eu vire zumbi de novo.
Outro campeonato vem e outro dia nasce.
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